Manhattan x Maratham

Textos

Sábados e Domingos na casa de meus pais. (interesse familiar)
Londrina, anos 60 e 70, terra vermelha e quando chovia, um barro que grudava no sapato, às vezes chegando a tirá-lo de nossos pés.

Começava na sexta, a obrigação de preparar a casa para o fim de semana, passar escovão com palha de aço de baixo para remover o barro entranhado e a cera velha, depois encerar de novo os pisos de madeira, lavar as calçadas, esta era a tarefa preferida da Vânia, lavar o carro do Dr. Frossard, era eu ou o Rui.

Se fosse tempo quente ou frio, no sábado, íamos ao Sítio Marília, local onde a maioria de nós aprendeu a nadar. Para ir, tínhamos que pegar um ônibus da Garcia, de Londrina a Cambé, o ponto era perto do Londrinense. Descíamos na frente da Cacique e caminhávamos até a piscina. Tínhamos que estar com a mensalidade do MAPIN (Mocidade Presbiteriana Independente) paga, que era muito pequena e com o atestado médico em dia, daqueles que qualquer médico amigo nos fornecia sem maiores exames. O porteiro que verificava estas obrigações era seu Flausino, um ex funcionário do Tio Nelson, uma vez o Marcos foi com a gente e o reconheceu, e nos contou que ele não sabia ler, nunca mais precisamos renovar o atestado médico.

Quando aprendi a nadar, a primeira pessoa que desafiei numa corrida foi a Helena, era a preferida dos novatos. Uma piscina simples, com poucas calçadas do lado, se não me engano, o fundo não tinha azulejos, um trampolim de 3 metros de altura com prancha para saltos, era a alegria da moçada das igrejas Presbiterianas de Londrina. No carnaval também tinha os acampamentos, devido a minha pouca idade em relação aos irmãos  e primos mais velhos nunca fui acampante lá.

As 18:00 horas a piscina era fechada sob protestos, voltávamos para casa mortos de fome. Em casa, no sábado, sempre tinha mate gelado batido e para acompanhar o pão caseiro quentinho da mamãe , as vezes com um talho por cima salpicado de alho  com manteiga. Isto que era vida boa.

A noite um cineminha no Ouro Verde, no Cine Londrina ou Augustos, de vez em sempre eu era intimado a segurar vela ou para Helena com o LEE ou para a Vânia com o Valmor, Denio, Jorge... Acho que até para a Vera fui segurador de vela, não me incomodava, as meninas sempre me davam uns trocados para comprar balas e sem pressa.

No domingo, para me acordar, gritavam "Dermeval o bolo está acabando", e de um salto pulava da cama. Para mim, o bolo domingueiro não podia faltar.

Depois íamos a igreja, a escola dominical começava as 9:30 em seguida tinha o culto matutino. A nossa igreja, Presbiteriana Central, tinha uma mocidade muito animada, alguns nomes me vêm a memória, Evair, Lenita, Getúlio, família Cesar, Enos Liberato eram a liderança. Uma época, papai foi conselheiro da Mocidade, é mole? Confirma Helena, Élcio e Vânia? Sei que o papai era muito rígido e não dava mole para a moçada, acho que tinham conflitos com ele, não me lembro muito bem.

Depois o almoço em casa, sempre muita gente para comer o macarrão feito pela Dona Cora, com massa e molho feito por ela, exigência do seu Frossard, com frango frito. E mais a tarde lá pelas 14:30, invariavelmente, chegavam o tios Calvino e Corali, Quinzote e Carmem, Nelson e Lindalva e Jaci e Nair, as vezes com os filhos. A sala e a pequena varanda ficavam abarrotadas.

Muitas discussões, política, o pessoal da direita contra os melancias, futebol entre os primos. Quando os manos mais velhos se encontravam em casa a coisa fervia. O tio Calvino ficava maluquinho, todos queriam contestá-lo. Papai não dava muito abertura nestas discussões, mas gostava de ver o debate. A mamãe ia para cozinha com as filhas preparar o lanche da tarde. As conversas giravam em torno da seção "você se lembra" para os mineiros da zona da mata e quando os tios Calvino e Quinzote estavam presentes era a política dos protestantes de Londrina, comentando a situação do Hospital Evangélico e Colégio Londrinense.

As amolações costumeiras eram sobre os carros velhos do tio Quinzote, o pão durismo do tio Calvino, as coisas feitas sem capricho do papai ( né tio Nelson?), a língua maior do que o coração do Tio Nelson e a valentia do Arrastão contra o Isaltino.

A noite tínhamos que ir para a igreja novamente, eu às vezes escapava para assistir o seriado BONANZA,  como televizinho. Ao retornar, a mamãe fazia um mexidão para a gente, que eu achava uma delícia.

Tempos passados, mas bem empenhados, não acham?

Um abraço, mas daqueles que ainda precisamos aprender. O Élcio já está treinando.
Defranco
Enviado por Defranco em 16/06/2011
Alterado em 26/02/2016
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